-“Então e a mãe sente-se melhor?” - perguntou a filha enquanto ajeitava as cobertas da cama, revolvidas pela constante busca da posição mais confortável, depois de semanas a repousar no mesmo leito;
-“Oh filha nem sei… Sinto-me na mesma, sei lá como me sinto, não vejo melhoras nenhumas…” – replicou enquanto abanava a cabeça, num jeito de quem já se conformou com a miséria da condição humana;
-“Mas se os médicos dizem que amanhã se calhar já vai para casa, então é porque está melhor! E nota-se que tem muito melhor cara mãe!” – saíam-lhe afirmações sustentadas por argumentos circunstanciais, nem todos verdadeiros, sentia-o por dentro. É sabido que a alma necessita de alento, pelo que o discurso lhe saiu de forma convicta, quanto mais não fosse para a animar um pouco, um placebo administrado em palavras e em consolo.
-“Olha… Se calhar até já me sinto melhor, filha…” – ao ouvi-lo disse para si mesma:
-“Olhe mãe… Se calhar também eu…” – e despediu-se com um beijo na testa e a esperança dum dia melhor.
31 maio 2005
CHICAGO HOPE
RolePlay
30 maio 2005
Arreganhas a taxa ao sabor dum vento que vai passando, passando e a vontade de rir só aumenta, aumenta, enquanto se molham os pés numa qualquer poça de água, um charco de vitória na sensação da água a entrar e a molhar tudo. Há imagens que não se esquecem e esta ficou-me na cabeça desde há uma mão cheia de anos, mais que muitos, demasiados mesmo para um cheiro tão vivo. São os gostos que trago na pele de quando fui mesmo muito feliz e feliz na forma verdadeira que é quando não se sente logo, mas sim depois… ao deixar de o ser e a sucumbir em modo crescendo aos fardos da vida que insistem em acumular-se de chofre.
Era alegre, dá para ver no sorriso que a memória me traz, usava roupa leve deixando o corpo livre de o poder expressar também numa brincadeira, num jogo, parvoíces de quem só se preocupa com o momento, deixando-se ir arreganhando a taxa sempre e só porque sim.
Recordo cheiros vêm-me as imagens (sim, eu também sou cinestésica) e fixo um ponto para me lembrar com clareza, uma espécie de freeze da realidade, um efeito especial qualquer da mente que nos alheia do agora e nos deixa entrar num sempre sem fim. É doce ter lembranças, fica um calor estranho na cabeça, enche-se o peito de não sei o quê e solta-se um suspiro, quase de alívio por ainda existirem e por terem sido reais e não fruto da imaginação. Não é uma fantasia, é sim uma lembrança, palpável quando se volta aos locais, quando se sente o bafo quente na cara e se molham os pés nas partes mais rasas do rio dum enganador azul, armadilha para os que não dominam a arte de boiar e deixar-se ir. O mesmo barulho dos insectos, a mesma dança com as mãos à procura de sossego, a vertigem no estômago de tão belas paisagens, quase como a que se sente quando se ama, é tão bom e são tantas.
Os afagos de quem se amou são sempre bons, mesmo que o “amar” mude de feitio, ou de forma de expressão, mesmo que surjam condicionantes a atrapalhar a simples vontade, é sempre o mesmo calor transmitido e lembra-lo dá um frison muito je ne sais quoi, um quase arrepio e é bom lembrar.
Fisicamente mínima, mas lembro-me desses dias, as rotinas que desaprendi por já não ter figurantes suficientes, lembro-me até muito bem. Saudade tanta, oh mãe querida, saudade tanta…
Era alegre, dá para ver no sorriso que a memória me traz, usava roupa leve deixando o corpo livre de o poder expressar também numa brincadeira, num jogo, parvoíces de quem só se preocupa com o momento, deixando-se ir arreganhando a taxa sempre e só porque sim.
Recordo cheiros vêm-me as imagens (sim, eu também sou cinestésica) e fixo um ponto para me lembrar com clareza, uma espécie de freeze da realidade, um efeito especial qualquer da mente que nos alheia do agora e nos deixa entrar num sempre sem fim. É doce ter lembranças, fica um calor estranho na cabeça, enche-se o peito de não sei o quê e solta-se um suspiro, quase de alívio por ainda existirem e por terem sido reais e não fruto da imaginação. Não é uma fantasia, é sim uma lembrança, palpável quando se volta aos locais, quando se sente o bafo quente na cara e se molham os pés nas partes mais rasas do rio dum enganador azul, armadilha para os que não dominam a arte de boiar e deixar-se ir. O mesmo barulho dos insectos, a mesma dança com as mãos à procura de sossego, a vertigem no estômago de tão belas paisagens, quase como a que se sente quando se ama, é tão bom e são tantas.
Os afagos de quem se amou são sempre bons, mesmo que o “amar” mude de feitio, ou de forma de expressão, mesmo que surjam condicionantes a atrapalhar a simples vontade, é sempre o mesmo calor transmitido e lembra-lo dá um frison muito je ne sais quoi, um quase arrepio e é bom lembrar.
Fisicamente mínima, mas lembro-me desses dias, as rotinas que desaprendi por já não ter figurantes suficientes, lembro-me até muito bem. Saudade tanta, oh mãe querida, saudade tanta…
20 maio 2005
Ontem ouvi coisas bonitas e fiquei algo mais feliz no meio disto tudo.
Adormeci a pensar como a Ana, um voraz apetite em querer estar novamente com “O coração ali à mão,/ os pulmões ali ao pé/ver como a mãe é!/ Do lado que não se vê...” e infelizmente não se lembra. Interrogo-me como seria estar lá dentro e rogo pragas à porcaria da memória, selectiva por defeito, castradora quando mais a queremos viva.
É uma música linda que ouvi em jeito de confidência, melodicamente pueril e por isso tão bela. As coisas lindas são mesmo assim, sempre imberbes e simples demais para me alongar a descreve-las ou a dissertar sobre elas.
Hoje só queria dizer que estou feliz e que quero exactamente o que a Ana Quer…
Adormeci a pensar como a Ana, um voraz apetite em querer estar novamente com “O coração ali à mão,/ os pulmões ali ao pé/ver como a mãe é!/ Do lado que não se vê...” e infelizmente não se lembra. Interrogo-me como seria estar lá dentro e rogo pragas à porcaria da memória, selectiva por defeito, castradora quando mais a queremos viva.
É uma música linda que ouvi em jeito de confidência, melodicamente pueril e por isso tão bela. As coisas lindas são mesmo assim, sempre imberbes e simples demais para me alongar a descreve-las ou a dissertar sobre elas.
Hoje só queria dizer que estou feliz e que quero exactamente o que a Ana Quer…
19 maio 2005
É uma raiva tão grande que se carrega cá dentro que apetece explodir na mais ínfima partícula que exista e que não se vê a olho nu. Repartir tudo o que se sente em mais do que um bocado para minimizar o seu todo. Dividir para conquistar. Rebentar como os peixes quando comem demais, mas em vez de pedaços de matéria, soltar vazio.
E espera-se por tudo, confiantes duma melhoria milagrosa, a fé que não se arranja, dúvidas atrás de dúvidas, o futuro que pertence a alguma entidade mística, um tremor nas pernas e medo, muito medo…
Todos se preocupam com uma sinceridade que magoa, quase acusações directas para o que está a acontecer: “Mas vocês não falam com eles? VOCÊS TÊM QUE FALAR COM ELES! Não podem continuar assim!” – um revolver apontado à cabeça para dizer o quê? Corre-se para lá, há quase intimidade entre quem é profissional e nós. Atarantados que nem baratas, engolindo o fumo inebriante da melhor maneira, sem cambalear à frente de quem padece, tudo está bem, preocupe-se consigo.
Cada dia uma nova fraqueza, uma nova dor, uma outra queixa à qual se assiste com incredulidade pela rapidez com que aparece. Máquinas atrás de máquinas, com funções directas eficazes mas com efeitos secundários para o paralelo, é intoxicante aquele ambiente, todo ele.
As pessoas vai saindo e nós sempre na correria entre o palco que se tornou o dia-a-dia e a realidade que é atravessar aquela porta.
É madrasta esta puta de vida…
E espera-se por tudo, confiantes duma melhoria milagrosa, a fé que não se arranja, dúvidas atrás de dúvidas, o futuro que pertence a alguma entidade mística, um tremor nas pernas e medo, muito medo…
Todos se preocupam com uma sinceridade que magoa, quase acusações directas para o que está a acontecer: “Mas vocês não falam com eles? VOCÊS TÊM QUE FALAR COM ELES! Não podem continuar assim!” – um revolver apontado à cabeça para dizer o quê? Corre-se para lá, há quase intimidade entre quem é profissional e nós. Atarantados que nem baratas, engolindo o fumo inebriante da melhor maneira, sem cambalear à frente de quem padece, tudo está bem, preocupe-se consigo.
Cada dia uma nova fraqueza, uma nova dor, uma outra queixa à qual se assiste com incredulidade pela rapidez com que aparece. Máquinas atrás de máquinas, com funções directas eficazes mas com efeitos secundários para o paralelo, é intoxicante aquele ambiente, todo ele.
As pessoas vai saindo e nós sempre na correria entre o palco que se tornou o dia-a-dia e a realidade que é atravessar aquela porta.
É madrasta esta puta de vida…
29 março 2005
Tenho-me esquecido do que se passou, talvez por defesa, talvez mesmo por distracção da vida de todos os dias, nem sei, não tenho parado para pensar muito nisso. Tenho-me esquecido da forma rápida como acordei nessa madrugada e senti que tudo tinha acontecido, desabou. Logo eu que nunca acordava. A minha mãe contava sempre com o meu irmão para os desaires nocturnos, era sempre ele quem se prontificava para descer as escadas, eu nunca acordava. Por preguiça não ouvia, mas naquele dia, mesmo sem meias desci as escadas. Não me lembro se chorei, não tinha onde me agarrar para o fazer por isso não devo ter chorado, falha-me a memória. A urgência dos telefonemas, uma tentativa de reanimação qualquer (é mesmo verdade, o ar entra nos pulmões e nota-se o peito a levantar a cada lufada que se exala) e finalmente a notícia. Só abanou a cabeça num jeito consternado e percebeu-se logo o que se havia passado.
Lembro-me das caras que iam entrando no quarto, olhares a perguntar:”como vai ser daqui em diante”, os amigos foram chegando e esboçavam-se sorrisos de compaixão e de pesar. Tantas pessoas, aquela casa tornou-se um rodopio de gente.
Avisei quem julgava dever avisar, talvez me tenha esquecido de algumas pessoas, perdoem-me pelo facto. A família também ia chegando, a minha mãe fora de si, teorias de “deixam-na chorar”, e eu ali, eu que só a queria ver calma e nada do que eu pudesse fazer funcionava. Resolvi chorar também num instante em que me apercebi do que me haviam avisado.
Faltou-me consolo, acho que o dei mais do que recebi.
Lembro-me das caras que iam entrando no quarto, olhares a perguntar:”como vai ser daqui em diante”, os amigos foram chegando e esboçavam-se sorrisos de compaixão e de pesar. Tantas pessoas, aquela casa tornou-se um rodopio de gente.
Avisei quem julgava dever avisar, talvez me tenha esquecido de algumas pessoas, perdoem-me pelo facto. A família também ia chegando, a minha mãe fora de si, teorias de “deixam-na chorar”, e eu ali, eu que só a queria ver calma e nada do que eu pudesse fazer funcionava. Resolvi chorar também num instante em que me apercebi do que me haviam avisado.
Faltou-me consolo, acho que o dei mais do que recebi.
Lembro-me da pele fria e rija que pousava naquele corpo. Eu nem sabia que se davam os sentimentos naquela situação, havia quem me perguntasse como estava, mas nem eu sabia muito bem. Fui estando e não queria deixar as pessoas pouco à vontade com a minha dor. Nem queria que se soubesse sequer, tinha quase vergonha de me apetecer chorar, de me apetecer ficar sozinha sem falar, de querer estar com a minha mãe e aprender e extravasar daquela forma o que se sente.
Entrei em casa, horas depois do rodopio, e olhei para uma sala cheia de gente, conhecia algumas caras, outras lembravam-me gentes, as rugas e o tempo marcaram rostos trigueiros de pessoas que já não reconhecia. Virei costas e sai, ninguém notou a minha entrada, não foi difícil sair dali. Andava para trás e para a frente, tratar de tanta coisa, decisões de circunstância. Eu nem sabia onde andava, queria-me embriagar, sair dum cenário que me parecia tudo menos real, ir dar uma volta, conversar sobre tudo, menos sobre aquilo.
Comecei a esquecer, é quase uma névoa aquela manhã, eu não estava lá, de certeza que não era eu. Onde fui buscar tanta conversa de circunstância, tanta treta, tanta merda que me saia da boca e não me apetecia estar com ninguém que lá estivesse, muito menos dizer aquelas coisas, muito menos dize-las daquela forma.
Ficam muitas sensações, uma nuvem de sentimentos e eu sem saber lidar com eles… Afinal ainda me lembro.
06/12/2004
21 março 2005
Tem sido uma barrigada de posts estas semanas. Para quem passou meses sem escrever, ultimamente tenho-me esmerado.
O meu instrumento de trabalho caseiro, está meio pifado, facto que me impossibilita de escrever de forma compulsiva como há bem pouco tempo me via a fazer. Prazenteiro vício que, como diz a senhora minha mãe:”sempre é melhor do que andares nos cafés!” E tem toda a razão.
Se alguém tiver um lap-topzeco que queira vender (só preciso que tenha um editor de texto que funcione e memória suficiente para não crashar constantemente) então que me contacte que estou disposta a adquirir um.
Bom, hoje não demoro, até porque tenho mais o que fazer. Queria só partilhar com quem está por aí do outro lado a experiência maravilhosa de sábado à tarde, frente a frente com uma fantástica companhia de teatro, numa exibição que me levou à lágrima de tão bonita. Fui ver a Ópera do Malandro do Chico Buarque e vim de lá babada de feliz.
Se puderem ir ver, por quem sois?, não deixem passar tal catadupa de emoções. Tem de tudo, malandragem, alegria, suspense, muita mas muita emotion.
Duma Fichinha comovente pela miséria da sua vida, até um Max malandro especial, passando por uma Géni digna de papel principal até ao grande homem de negócios que era o Sr. Durão. A suportar tudo isto, as belas Muchachas de Copacabana, completas aos pares com os Malandros do pedaço.
Simplesmente lindo! A Malandragem não tem explicação!!
O meu instrumento de trabalho caseiro, está meio pifado, facto que me impossibilita de escrever de forma compulsiva como há bem pouco tempo me via a fazer. Prazenteiro vício que, como diz a senhora minha mãe:”sempre é melhor do que andares nos cafés!” E tem toda a razão.
Se alguém tiver um lap-topzeco que queira vender (só preciso que tenha um editor de texto que funcione e memória suficiente para não crashar constantemente) então que me contacte que estou disposta a adquirir um.
Bom, hoje não demoro, até porque tenho mais o que fazer. Queria só partilhar com quem está por aí do outro lado a experiência maravilhosa de sábado à tarde, frente a frente com uma fantástica companhia de teatro, numa exibição que me levou à lágrima de tão bonita. Fui ver a Ópera do Malandro do Chico Buarque e vim de lá babada de feliz.
Se puderem ir ver, por quem sois?, não deixem passar tal catadupa de emoções. Tem de tudo, malandragem, alegria, suspense, muita mas muita emotion.
Duma Fichinha comovente pela miséria da sua vida, até um Max malandro especial, passando por uma Géni digna de papel principal até ao grande homem de negócios que era o Sr. Durão. A suportar tudo isto, as belas Muchachas de Copacabana, completas aos pares com os Malandros do pedaço.
Simplesmente lindo! A Malandragem não tem explicação!!
Não percebo nada de teatro, nem de cinema, como já tive oportunidade de dizer. Gosto de pensar que vejo as coisas pelo que elas são e só critico em função das emoções que me provocam. Raras vezes sei os nomes dos actores e, mais do que muitas, esqueço-me até dos nomes dos filmes. Só sei o que vejo, quase como o São Tomé. Vi a Ópera e gostei. Sempre actual, sempre bela, digna de três horas com a máxima atenção. Eu que o diga, vim de lá cansada como tudo!
Sigam o meu conselho e se puderem, não deixem passar este evento (como quase acontecia comigo!! OBRIGADA MARTA E MIMI!!)
AMEI!!
Sigam o meu conselho e se puderem, não deixem passar este evento (como quase acontecia comigo!! OBRIGADA MARTA E MIMI!!)
AMEI!!
17 março 2005
Vi ontem o 5º filme da minha vida que me levou à lágrima. Na certa, todos já o tinham visto e com a certeza absoluta fui a última a aperceber-me que o mesmo já estava disponível numa sala perto de mim. Não sou de chorar nos filmes, penso sempre no cachet de quem os faz e rio-me bastante.
No Titanic quase fui convidada a sair porque já não aguentava o riso silencioso e, de tanto o engolir, comecei a fazer uma violenta dança com o abdómen, tendo sido obrigada a gargalhar de forma sonora. Ou isso ou explodia. Gargalhei.
Mas ontem não foi o caso, custou-me ver a película até ao final, custou-me ouvir aquela história e custou-me estar no meu lugar, sem reacção, pelo que chorei. Fui ver o Mar Adentro. A história do Sr. Ramón Sampedro, tetraplégico aos 20 e poucos anos, que queria morrer.
No 10º ano de escolaridade surge uma disciplina nova que nos dizem ensinar a pensar (para quem até então nunca havia descoberto essa possibilidade). A mim ensinou-me uma coisa ou outra, algo de novo: uns quantos nomes em estrangeiro, construir silogismos (era mais ou menos como os leggos), eram horas descontraídas e não tínhamos que levar máquina de calcular.
O que mais me lembro é das primeiras aulas em que se introduz a filosofia (para quem ainda não sabe de que disciplina falo) como sendo uma disciplina que surge para dar resposta a perguntas como:”o que andamos aqui a fazer, qual o sentido da vida”, etc, etc. Perguntas que não comecei a fazer nessa altura por já as ter feito algum tempo antes, mas que marcam e dão azo a tanta discussão e conversa que quase não vale a pena interrogar mais.
O Sr. Sampedro, sabia o sentido da sua vida e aceitava-o com uma coragem que muitos não temos, seguindo o rumo normal que o corte do cordão umbilical nos deu. O sentido daquela vida era o de acabar no instante em que a caminhada para o desespero começou. O que ele queria mesmo era morrer, não por não encontrar sentido na vida, mas porque o sentido da vida dele era esse mesmo. Transcenderam-me os argumentos capciosos que ele usava. As certezas eram tantas que viver neste mundo, como o conhecemos, fazia com que saísse de si, sonhos reais de outras andanças, não deste mundo. Captar os cheiros, enredá-los com as lembranças, é bonito, difícil de fazer com clareza, mas não é viver.
Anda-se por andar, sendo eu um exemplo vivo deste laxismo perante a vida, não sei qual o sentido da minha e prefiro nem pensar muito nisso. Deixo-me andar, pode ser que entretanto surja. Com toda esta motivação andamos milhares, um enxame sem colmeia, vamos pousando de gineceu em gineceu (correndo o risco das segundas interpretações), o polén sabe todo ao mesmo. Desde que alimente, no dia seguinte voltamos a acordar.
Sem pretender moralizar, sem querer chegar a lado nenhum, não percebo nada de eutanásia e nestas ciências da vida abomino quem moraliza e impõe a sua vontade com base em sofismas do tempo em que a fogueira era o destino para quem ousasse benzer-se ao contrário. Nunca pensei muito nestas questões, nunca fui confrontada com algo assim, humildemente (!!aqui de baixo, fala do R/C esquerdo da sabedoria!!) não sei se é correcto aceder a um pedido de assistir a morte de alguém. Só sei que naquela história, da humildade daquele lar, sai uma lição nova para mim.
Vejam o filme e aprendam-na também.
P.S.: Para quem quiser saber, os outros filmes em que chorei foram: Filadélfia, o CineParadiso, a Lista de Schindler e (vergonhosamente ou não) o Bambi...
No Titanic quase fui convidada a sair porque já não aguentava o riso silencioso e, de tanto o engolir, comecei a fazer uma violenta dança com o abdómen, tendo sido obrigada a gargalhar de forma sonora. Ou isso ou explodia. Gargalhei.
Mas ontem não foi o caso, custou-me ver a película até ao final, custou-me ouvir aquela história e custou-me estar no meu lugar, sem reacção, pelo que chorei. Fui ver o Mar Adentro. A história do Sr. Ramón Sampedro, tetraplégico aos 20 e poucos anos, que queria morrer.
No 10º ano de escolaridade surge uma disciplina nova que nos dizem ensinar a pensar (para quem até então nunca havia descoberto essa possibilidade). A mim ensinou-me uma coisa ou outra, algo de novo: uns quantos nomes em estrangeiro, construir silogismos (era mais ou menos como os leggos), eram horas descontraídas e não tínhamos que levar máquina de calcular.
O que mais me lembro é das primeiras aulas em que se introduz a filosofia (para quem ainda não sabe de que disciplina falo) como sendo uma disciplina que surge para dar resposta a perguntas como:”o que andamos aqui a fazer, qual o sentido da vida”, etc, etc. Perguntas que não comecei a fazer nessa altura por já as ter feito algum tempo antes, mas que marcam e dão azo a tanta discussão e conversa que quase não vale a pena interrogar mais.
O Sr. Sampedro, sabia o sentido da sua vida e aceitava-o com uma coragem que muitos não temos, seguindo o rumo normal que o corte do cordão umbilical nos deu. O sentido daquela vida era o de acabar no instante em que a caminhada para o desespero começou. O que ele queria mesmo era morrer, não por não encontrar sentido na vida, mas porque o sentido da vida dele era esse mesmo. Transcenderam-me os argumentos capciosos que ele usava. As certezas eram tantas que viver neste mundo, como o conhecemos, fazia com que saísse de si, sonhos reais de outras andanças, não deste mundo. Captar os cheiros, enredá-los com as lembranças, é bonito, difícil de fazer com clareza, mas não é viver.
Anda-se por andar, sendo eu um exemplo vivo deste laxismo perante a vida, não sei qual o sentido da minha e prefiro nem pensar muito nisso. Deixo-me andar, pode ser que entretanto surja. Com toda esta motivação andamos milhares, um enxame sem colmeia, vamos pousando de gineceu em gineceu (correndo o risco das segundas interpretações), o polén sabe todo ao mesmo. Desde que alimente, no dia seguinte voltamos a acordar.
Sem pretender moralizar, sem querer chegar a lado nenhum, não percebo nada de eutanásia e nestas ciências da vida abomino quem moraliza e impõe a sua vontade com base em sofismas do tempo em que a fogueira era o destino para quem ousasse benzer-se ao contrário. Nunca pensei muito nestas questões, nunca fui confrontada com algo assim, humildemente (!!aqui de baixo, fala do R/C esquerdo da sabedoria!!) não sei se é correcto aceder a um pedido de assistir a morte de alguém. Só sei que naquela história, da humildade daquele lar, sai uma lição nova para mim.
Vejam o filme e aprendam-na também.
P.S.: Para quem quiser saber, os outros filmes em que chorei foram: Filadélfia, o CineParadiso, a Lista de Schindler e (vergonhosamente ou não) o Bambi...
15 março 2005
Esta é para vós que trabalhais na industria…
Oh povo maltratado, que país este onde estamos. Lamúrias, bastam as diárias, exclama-se, exala-se, soltam-se suspiros porque sim e sobretudo porque esse sim tem prazo e preço.
Descontos, datas de entrega, as quantidades influenciam e muito, há cabeças a rolar, muito sangue (e do frio também), as mãos transpiradas, o coração aos pulos ao atender um telefonema, o pontapé da cara amiga, lamber as feridas num canto comum.
Industriais, vilipendiem-me à vontade, que me importa?
No fim paramos todos no mesmo sítio, com mais ou menos audiência, é de olhos fechados que nos vamos encontrar por isso, batam-me e tirem-me o sono, mas cá dentro…cá dentro o mundo é meu!
!!VIVÁ FUNÇÃO PÚBLICA!! 25 D’ABRIL NUNCA MAIS!!
Oh povo maltratado, que país este onde estamos. Lamúrias, bastam as diárias, exclama-se, exala-se, soltam-se suspiros porque sim e sobretudo porque esse sim tem prazo e preço.
Descontos, datas de entrega, as quantidades influenciam e muito, há cabeças a rolar, muito sangue (e do frio também), as mãos transpiradas, o coração aos pulos ao atender um telefonema, o pontapé da cara amiga, lamber as feridas num canto comum.
Industriais, vilipendiem-me à vontade, que me importa?
No fim paramos todos no mesmo sítio, com mais ou menos audiência, é de olhos fechados que nos vamos encontrar por isso, batam-me e tirem-me o sono, mas cá dentro…cá dentro o mundo é meu!
!!VIVÁ FUNÇÃO PÚBLICA!! 25 D’ABRIL NUNCA MAIS!!
!ABAIXO O AUTORITARISMO!
...ai...
29 novembro 2004
Olhando para trás não passou dum sonho, daqueles com padrões garridos e complicados, como os que tão enjoada me deixavam em pequena. Acordava a meio da noite com náuseas e esperava pelo resto do sono, pensando em coisas bonitas, deixando a porta aberta para ser ouvida pelos pais, mas sem chorar. Tudo se esfumou, parou no tempo e é recordado com mágoa e dor, sobretudo muita dor.
Como esquecer pergunta-se há décadas, como evitar que moa tanto no peito, um esgar pejado de saliva, uma raiva pela desilusão e uma náusea por acreditar no que foi verdade. Verdade a sério. Não há culpas no meio de tudo, uma leva a outra, tal como temos duas mãos, dois pés, dois braços …
Como esquecer pergunta-se há décadas, como evitar que moa tanto no peito, um esgar pejado de saliva, uma raiva pela desilusão e uma náusea por acreditar no que foi verdade. Verdade a sério. Não há culpas no meio de tudo, uma leva a outra, tal como temos duas mãos, dois pés, dois braços …
São dois braços, são dois braços
servem pra dar um abraço
assim como quatro braços
servem pra dar dois abraços
E assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
Vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
prós abraços vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
…num abraço, mas … então! Onde estão? Onde foram, a falta que fazem, são só dois os que se perderam.
E o mau estar e a vertigem e a falta de confiança e os meus medos e o que quero e o que vivo e os amigos?
26 novembro 2004
É lugar comum, redundante dizer, mas não há pior dor do que a dor da perda de alguém.
A vida muda muito e tudo que se tem como garantido, não o é, nada é função da nossa vontade, tudo muda em função de algo ou de alguém e no fim de tudo só nos compete olhar e fingir que não é nada connosco.
Que dizer a alguém que aguente, que não tenha medo? Mostrar que a vida é eterna e ninguém desaparece, há sempre algo que fica, mas nunca palpável.
É lugar comum e redundante dizê-lo, não valerá o esforço de leitura.
Lidar com os sustos e com a morte… Ter medo e consciência que isto não nos pertence, perpetuar tudo num choro ou num riso, momentos Kodak, luzidios na cor e no sentimento.
Bem haja quem tudo me quis ensinar e mostrar, bem hajas mãe, bem hajas pai…
A vida muda muito e tudo que se tem como garantido, não o é, nada é função da nossa vontade, tudo muda em função de algo ou de alguém e no fim de tudo só nos compete olhar e fingir que não é nada connosco.
Que dizer a alguém que aguente, que não tenha medo? Mostrar que a vida é eterna e ninguém desaparece, há sempre algo que fica, mas nunca palpável.
É lugar comum e redundante dizê-lo, não valerá o esforço de leitura.
Lidar com os sustos e com a morte… Ter medo e consciência que isto não nos pertence, perpetuar tudo num choro ou num riso, momentos Kodak, luzidios na cor e no sentimento.
Bem haja quem tudo me quis ensinar e mostrar, bem hajas mãe, bem hajas pai…
25 outubro 2004
É muita “exprimissão” numa capita só. O termo é meu e só meu, inventei-o possivelmente em noite de copos, "exprimida "como só eu, em companhias que não me lembro mas que posso adivinhar.
Desde o início da semana (coincidente ou não com a “Tchoica”) ando com uma infecção aguda e crónica de TPM, a qual no meu próprio léxico diz respeito a um mal de assoberbadas dimensões que designo por Tou Puss Men. Ando possuída da minha vida, com ou sem motivos, já que até agora pouco ou nada mudou, mas ando triste com ela e, pior do que isso, ela anda triste comigo e não quer reatar relacionamento…
Dizia-me alguém hoje que estar “esprimida” é sempre devido a algo, mesmo que não nos tenham batido, ou feito mal directamente, há sempre qualquer coisa para ficarmos assim. Qualquer coisa mais profunda consoante as vezes, algo marcante à tona dos sentidos e da pele, uma cicatriz mal curada, ou daquelas chatas que estão sempre a abrir.
No meio deste rol, tudo marca e contribui alegremente para eu poder estar “esprimida”. Avaliando bem, devo sofrer de diabetes, no que toca a curar feridas da alma. Demoro sempre demasiado tempo a curá-las, fico que tempos até que não restem marcas de qualquer tipo, ou até que já não doa tanto, sei lá.
Ando "esprimida" por isso e mais nada. Tudo se acumula e acaba por extravasar duma forma ou doutra. Às vezes, perante adversidades que me surgem dá-me para rir, outras dá-me para amuar, outras não me dá para nada e engulo tudo, tentando afastar os problemas do que é realmente principal e importante na minha vida. Quando esse mesmo principal e importante dá para o torto, aí fico na merda (ou como se diz no pais real), fico “fodida e mal paga”!(o diccionário do Word não reconhece “fodida”! Oh diabo, será que eles não conhecem o termo?)!
Mas eu tenho um plano! Tenho um plano que me durou 2 horas de precioso sono, o qual tanta falta me faz no trabalho. Tardo em dormir desde há uns tempos e dá-me para isso… O meu plano é relativamente simples. Vou ganhar muito dinheiro, ou rezar para que ele me caia do céu. É isso vou rezar para que o dinheiro me caia do céu, direitinho, em notas pequenas e prontas a usar.
( Pode acontecer! Já choveram gafanhotos e há santas de barro a chorar lágrimas de sangue! Pode acontecer!).
Assim deixo de trabalhar, o que me reduz chatices de emprego, aturar patrões/patroas, aturar funcionários e tudo e tudo e tudo. Posso pagar tudo o que devo a toda a gente, saindo-me assim um peso da consciência (assim com um peso da minha conta poupança, de si inexistente no significado da modalidade de conta!...) Não tenho que depender de ninguém para viver, posso fazer o que quero e bem entendo da minha santa vidinha, sem que ninguém possa opinar por este ou por aquele outro motivo! (se bem que já funciona mais ou menos assim, com mais ou menos condicionantes…)
Posso-me dar ao luxo de viajar quando bem me apetecer e ficar o tempo que a roupa durar e, se não durar muito e o destino for aprazível para permanecer, compro mais e mais. Eu sei lá! Um sem fim de coisas de luxo que só com dinheiro poderei vir a fazer… Mal este me caia do céu e eu o consiga juntar todinho!
Vou rezar, mas vou rezar mesmo muito e se deixar de blogar por tempos sem fim, é porque choveram gafanhotos, mais um santa chorou lágrimas de sangue e, aqui a Tia-Da-França, ficou rica graças aos céus!!
Desde o início da semana (coincidente ou não com a “Tchoica”) ando com uma infecção aguda e crónica de TPM, a qual no meu próprio léxico diz respeito a um mal de assoberbadas dimensões que designo por Tou Puss Men. Ando possuída da minha vida, com ou sem motivos, já que até agora pouco ou nada mudou, mas ando triste com ela e, pior do que isso, ela anda triste comigo e não quer reatar relacionamento…
Dizia-me alguém hoje que estar “esprimida” é sempre devido a algo, mesmo que não nos tenham batido, ou feito mal directamente, há sempre qualquer coisa para ficarmos assim. Qualquer coisa mais profunda consoante as vezes, algo marcante à tona dos sentidos e da pele, uma cicatriz mal curada, ou daquelas chatas que estão sempre a abrir.
No meio deste rol, tudo marca e contribui alegremente para eu poder estar “esprimida”. Avaliando bem, devo sofrer de diabetes, no que toca a curar feridas da alma. Demoro sempre demasiado tempo a curá-las, fico que tempos até que não restem marcas de qualquer tipo, ou até que já não doa tanto, sei lá.
Ando "esprimida" por isso e mais nada. Tudo se acumula e acaba por extravasar duma forma ou doutra. Às vezes, perante adversidades que me surgem dá-me para rir, outras dá-me para amuar, outras não me dá para nada e engulo tudo, tentando afastar os problemas do que é realmente principal e importante na minha vida. Quando esse mesmo principal e importante dá para o torto, aí fico na merda (ou como se diz no pais real), fico “fodida e mal paga”!(o diccionário do Word não reconhece “fodida”! Oh diabo, será que eles não conhecem o termo?)!
Mas eu tenho um plano! Tenho um plano que me durou 2 horas de precioso sono, o qual tanta falta me faz no trabalho. Tardo em dormir desde há uns tempos e dá-me para isso… O meu plano é relativamente simples. Vou ganhar muito dinheiro, ou rezar para que ele me caia do céu. É isso vou rezar para que o dinheiro me caia do céu, direitinho, em notas pequenas e prontas a usar.
( Pode acontecer! Já choveram gafanhotos e há santas de barro a chorar lágrimas de sangue! Pode acontecer!).
Assim deixo de trabalhar, o que me reduz chatices de emprego, aturar patrões/patroas, aturar funcionários e tudo e tudo e tudo. Posso pagar tudo o que devo a toda a gente, saindo-me assim um peso da consciência (assim com um peso da minha conta poupança, de si inexistente no significado da modalidade de conta!...) Não tenho que depender de ninguém para viver, posso fazer o que quero e bem entendo da minha santa vidinha, sem que ninguém possa opinar por este ou por aquele outro motivo! (se bem que já funciona mais ou menos assim, com mais ou menos condicionantes…)
Posso-me dar ao luxo de viajar quando bem me apetecer e ficar o tempo que a roupa durar e, se não durar muito e o destino for aprazível para permanecer, compro mais e mais. Eu sei lá! Um sem fim de coisas de luxo que só com dinheiro poderei vir a fazer… Mal este me caia do céu e eu o consiga juntar todinho!
Vou rezar, mas vou rezar mesmo muito e se deixar de blogar por tempos sem fim, é porque choveram gafanhotos, mais um santa chorou lágrimas de sangue e, aqui a Tia-Da-França, ficou rica graças aos céus!!
29 julho 2004
Fui mordida durante a tarde pela imensa vontade de nada fazer. Sigo exemplos palpáveis, bem melhor remunerados que eu, expectante que talvez essa seja a solução para mais um grão no final do mês. Adaptabilidade é o nome que lhe quero dar. Nunca preguiça porque isso fica mal. Ainda sou jovem para padecer de tal suplício! Mas sinceramente... hoje não me apetecia ter vindo trabalhar…
Vou passar a tarde a fingir que produzo, enquanto espero a hora de poder ir a casa, pôr o meu equipamento laranja mecânica, o chanato, o óculito do sole e rumar que nem caranguejo para a areia.
Hoje apetece-me esplanar e estar sossegada em amena proza, ou a ler um livro, sem pensar na companhia, ou na ausência dela. Sem invejar corpos torneados, nem sortes de quem já goza férias, sem pensar no que amanhã me espera novamente, quer me apeteça, quer não.
Só esplanar, beber um fino ao preço de dois, nunca esquecendo que em casa seria bem mais barato, olhar para o mar e ter vontade de molhar os pés, sentar-me na areia e sonhar. É o que me resta. E é mêmisso que farei!! Praia here I come!!
Ai como tu estás hoje…É por causa de pessoas assim que este país não anda para a frente! Desperdiço tempo evitadamente, como tão bem diz a entidade patronal...
Vou passar a tarde a fingir que produzo, enquanto espero a hora de poder ir a casa, pôr o meu equipamento laranja mecânica, o chanato, o óculito do sole e rumar que nem caranguejo para a areia.
Hoje apetece-me esplanar e estar sossegada em amena proza, ou a ler um livro, sem pensar na companhia, ou na ausência dela. Sem invejar corpos torneados, nem sortes de quem já goza férias, sem pensar no que amanhã me espera novamente, quer me apeteça, quer não.
Só esplanar, beber um fino ao preço de dois, nunca esquecendo que em casa seria bem mais barato, olhar para o mar e ter vontade de molhar os pés, sentar-me na areia e sonhar. É o que me resta. E é mêmisso que farei!! Praia here I come!!
Ai como tu estás hoje…É por causa de pessoas assim que este país não anda para a frente! Desperdiço tempo evitadamente, como tão bem diz a entidade patronal...
23 julho 2004
Conversava ontem com duas conhecidas minhas, num final de tarde pouco solarengo e ainda menos agradável à esplanada, sobre o destino de férias que cada uma ia tomar. Curiosamente no ano anterior, ambas haviam estado numa mesma cidade em terras de Vera Cruz, e só não se encontraram porque viajaram em datas diferentes. Não vou mencionar a terra porque poderá dar azo a que, mais veraneantes com posses para atravessar todo um oceano, tenham a mesma opinião que a partilhada pelas duas jovens.
A conversa surgiu com a pergunta inocente:”O que é que achaste do sítio XX? Achaste melhor que o YY?” – a outra jovem respondeu:”Olha, achei o XX muito melhor que o YY, parece que vi o Brasil a sério, não era artificial… Olhas à tua volta e só vês pretos, vês mesmo o país a sério!” (Como sempre, a palavra “pretos” mencionada na minha presença, e quando usada para adjectivar pessoas, dá sempre azo a olhares, desculpas e um entaramelar da língua que me dá muita vontade de rir!)
Continuaram a conversa, que para mim pouco interesse tinha, já que nem em sonhos poderia ir ao Brasil e, para além do mais, trabalho até meados de Agosto, e tudo aquilo me deixou a pensar. Depois de reflectir durante algum tempo, cheguei à brilhante conclusão que para ver pretos, não é preciso ir ao Brasil gastar balúrdios. Podem ir até lá a casa, à Taberna do Canal em Aveiro, ou ao Martim Moniz em Lisboa. Neste último lugar para além de serem muitos são muito variados e usam aquelas roupas giríssimas que dão azo aos comentários típicos:”Olha o Savimbi! Ressuscitou o cabrão!!”
Será que ver pretos no Brasil define assim tão bem o país? A maior parte da informação que tenho do Brasil refere-se aos bairros de lata, à Bossa-Nova, aos meninos de rua, aos esquadrões de morte, à corrupção quase legalizada, ao Roque Santeiro, às prisões sobrelotadas, ao Carnaval, às paisagens lindíssimas, às máfias que controlam a vida de milhares, ao Guaraná e ao calor. Alguma desta informação invoca-me imagens de pretos é certo, mas grande parte delas até mete muito branco. Mas o que achei mesmo muito engraçado foi quando a moça, que disse que ver pretos era ver o Brasil, rematou:”O nosso hotel era de não sei quantas estrelas, mesmo impecável! Tudo espectacular!” Provavelmente os pretos a que se referia eram os empregados do hotel, pagos a “tuta e meia” para serem simpáticos… Os tais pretos que moram em favelas e que fazem com que à noite não se possa parar no sinal vermelho. Os mesmos pretos que posam em fotografias a mostrar aquando do regresso, num agradável domingo solarengo com a família à volta. Aqueles pretos que se convidassem os turistas para jantar, o mais provável eram não preencherem mais lugares à mesa que os do costume. Os tão característicos pretos do Brasil!
(Imagino os turistas que estiveram em Portugal durante o Euro: “Pá olhas à tua volta e só vês ucranianos, russos, checos, vês o país mesmo a sério!” )
Os cidadãos originais do Brasil são os índios e esses não têm carapinha…Talvez um ou outro com nariz de batata, mas sem carapinha. Se toda a gente que viesse a Portugal e caracterizasse o país como sendo composto por homens (e mulheres) de bigode e com pêlos debaixo dos braços, acho que nunca teriam convidado o Durão para ir para a Europa. Não sei, é só uma suposição…
Nem todos os habitantes do Brasil fazem surf nem andam na “acadjimía”, é verdade, mas daí a que o país seja caracterizado por pretos! Convenhamos! Enfim…
Santa Paciência
A conversa surgiu com a pergunta inocente:”O que é que achaste do sítio XX? Achaste melhor que o YY?” – a outra jovem respondeu:”Olha, achei o XX muito melhor que o YY, parece que vi o Brasil a sério, não era artificial… Olhas à tua volta e só vês pretos, vês mesmo o país a sério!” (Como sempre, a palavra “pretos” mencionada na minha presença, e quando usada para adjectivar pessoas, dá sempre azo a olhares, desculpas e um entaramelar da língua que me dá muita vontade de rir!)
Continuaram a conversa, que para mim pouco interesse tinha, já que nem em sonhos poderia ir ao Brasil e, para além do mais, trabalho até meados de Agosto, e tudo aquilo me deixou a pensar. Depois de reflectir durante algum tempo, cheguei à brilhante conclusão que para ver pretos, não é preciso ir ao Brasil gastar balúrdios. Podem ir até lá a casa, à Taberna do Canal em Aveiro, ou ao Martim Moniz em Lisboa. Neste último lugar para além de serem muitos são muito variados e usam aquelas roupas giríssimas que dão azo aos comentários típicos:”Olha o Savimbi! Ressuscitou o cabrão!!”
Será que ver pretos no Brasil define assim tão bem o país? A maior parte da informação que tenho do Brasil refere-se aos bairros de lata, à Bossa-Nova, aos meninos de rua, aos esquadrões de morte, à corrupção quase legalizada, ao Roque Santeiro, às prisões sobrelotadas, ao Carnaval, às paisagens lindíssimas, às máfias que controlam a vida de milhares, ao Guaraná e ao calor. Alguma desta informação invoca-me imagens de pretos é certo, mas grande parte delas até mete muito branco. Mas o que achei mesmo muito engraçado foi quando a moça, que disse que ver pretos era ver o Brasil, rematou:”O nosso hotel era de não sei quantas estrelas, mesmo impecável! Tudo espectacular!” Provavelmente os pretos a que se referia eram os empregados do hotel, pagos a “tuta e meia” para serem simpáticos… Os tais pretos que moram em favelas e que fazem com que à noite não se possa parar no sinal vermelho. Os mesmos pretos que posam em fotografias a mostrar aquando do regresso, num agradável domingo solarengo com a família à volta. Aqueles pretos que se convidassem os turistas para jantar, o mais provável eram não preencherem mais lugares à mesa que os do costume. Os tão característicos pretos do Brasil!
(Imagino os turistas que estiveram em Portugal durante o Euro: “Pá olhas à tua volta e só vês ucranianos, russos, checos, vês o país mesmo a sério!” )
Os cidadãos originais do Brasil são os índios e esses não têm carapinha…Talvez um ou outro com nariz de batata, mas sem carapinha. Se toda a gente que viesse a Portugal e caracterizasse o país como sendo composto por homens (e mulheres) de bigode e com pêlos debaixo dos braços, acho que nunca teriam convidado o Durão para ir para a Europa. Não sei, é só uma suposição…
Nem todos os habitantes do Brasil fazem surf nem andam na “acadjimía”, é verdade, mas daí a que o país seja caracterizado por pretos! Convenhamos! Enfim…
Santa Paciência
12 julho 2004
Grande Lhasa, música do mundo para gostos menos próprios ( sendo que “próprios” significa Standerte – in Diccionário Tia Gijocas, vs 2004 ). Gostei muito do concerto da senhora, dos músicos, do jogo entre eles, aqueles olhares que parecem sem nexo, mas que o têm e muito, caso contrário não acredito que conseguissem entrar e sobretudo tocar, todos ao mesmo tempo.
É tão engraçado tocar ao vivo! E é bom expiar dúvidas e reclamações da vida no som dum instrumento. É libertador tocar algo. Há quem extravase a dor de estar vivo na escrita, outros expiarão as suas culpas no vinho, quem tem amigos usa ombros compreensivos para se purgar, aqueles senhores fazem uso dum dom para não só se libertarem mas também para darem a conhecer isso mesmo ao seu público.
E eu gostei da forma como o fizeram!!
Também eu já tive essa oportunidade. Pisar o palco, sentir os olhares pousados no que nos propomos fazer, o suor das mãos, é o pânico. Normalmente comigo, depois das primeiras notas, o som começava a fluir melhor e a inibição a voltar para o seu lugar, donde nunca deveria ter saído. A música surge no seu encanto, há uma ou outra nota que falha, mas a concentração volta e parece que os dedos já sabem o seu rumo. Chega sempre a fase mais inspirada em que o dedos chegam mesmo a ir mais além com o improviso que confere aquele brilho, e é nessa altura que tudo parece estar bem. Entretanto a música acaba e a sensação de dever cumprido instala-se como se em toda a nossa vida não tivéssemos feito outra coisa. É esta a minha missão!
Gostava de saber como é com os grandes artistas, aqueles que fazem da música ganha-pão, será que também transpiram e dormem mal na noite anterior, como acontecia comigo? Ou não conseguem comer e são avassalados pelo degarrar do intestino, como tanta vez testemunharam aqueles que partilham o lar comigo? É complicado… Os nervos surgem duma forma até então desconhecida, descobre-se que nem só de frio as mãos tremem e é o descalabro e a sensação:”Porque é que eu me meti nisto?”
Mas como já havia dito, no final até é bom. Bastante bom mesmo. Ser músico deve ser mesmo muito bom!E quando se é musico como os da senhora dona Lhasa, então aí sim, deve dar gosto acordar todas as manhãs!
É tão engraçado tocar ao vivo! E é bom expiar dúvidas e reclamações da vida no som dum instrumento. É libertador tocar algo. Há quem extravase a dor de estar vivo na escrita, outros expiarão as suas culpas no vinho, quem tem amigos usa ombros compreensivos para se purgar, aqueles senhores fazem uso dum dom para não só se libertarem mas também para darem a conhecer isso mesmo ao seu público.
E eu gostei da forma como o fizeram!!
Também eu já tive essa oportunidade. Pisar o palco, sentir os olhares pousados no que nos propomos fazer, o suor das mãos, é o pânico. Normalmente comigo, depois das primeiras notas, o som começava a fluir melhor e a inibição a voltar para o seu lugar, donde nunca deveria ter saído. A música surge no seu encanto, há uma ou outra nota que falha, mas a concentração volta e parece que os dedos já sabem o seu rumo. Chega sempre a fase mais inspirada em que o dedos chegam mesmo a ir mais além com o improviso que confere aquele brilho, e é nessa altura que tudo parece estar bem. Entretanto a música acaba e a sensação de dever cumprido instala-se como se em toda a nossa vida não tivéssemos feito outra coisa. É esta a minha missão!
Gostava de saber como é com os grandes artistas, aqueles que fazem da música ganha-pão, será que também transpiram e dormem mal na noite anterior, como acontecia comigo? Ou não conseguem comer e são avassalados pelo degarrar do intestino, como tanta vez testemunharam aqueles que partilham o lar comigo? É complicado… Os nervos surgem duma forma até então desconhecida, descobre-se que nem só de frio as mãos tremem e é o descalabro e a sensação:”Porque é que eu me meti nisto?”
Mas como já havia dito, no final até é bom. Bastante bom mesmo. Ser músico deve ser mesmo muito bom!E quando se é musico como os da senhora dona Lhasa, então aí sim, deve dar gosto acordar todas as manhãs!
01 junho 2004
Hoje dei por mim a rezar. Tenho uma amiga que não reza e pelas explicações que me deu destas coisas da vida, o seu credo mais parece uma demonstração matemática.
Será que Deus não passa duma equação?
Quando era mais nova (!!há três quinze dias!!) julgava que o planeta Terra era uma caixa de Petri que os extraterrestres estudavam, tipo cultura biológica em ambiente controlado e que os humanos eram matéria de estudo para as aulas de biologia e química dessa gente. Era chavalita, não pensava ou melhor, pensava demais e queria explicar tudo para ser melhor e mais perspicaz que os meus amigos com acne.
Também me divertia a pensar que tipo de coisas diriam sobre mim, como seria classificada, em que grupo estava, que tipo de nome me dava... Provavelmente algo como “Chavalas Brilhantum et Giraçum” !! Narciso, larga o espelho!
Tinha razões para tal já que, se conseguiram criar algo como a Terra com o seu equilíbrio ecológico e a forma linda como tudo se combina(ava), então conseguiriam monitorizar cada passo nosso, desde o acordar até à hora de pôr o casaco de madeira. Era nova, não pensava…
Depois cresci e vi que não podia ser assim. A beleza da vida não pode ser regulada pelo meio de cultivo, temperatura ou pH da solução. Não pode. Tem que haver alguma mais, é tudo muito bonito.
Tenho conversado com diversas pessoas que sentem o que sinto. Há circunstâncias, pequenos gestos, atitudes, um pôr do sol, um abraço certeiro, coisas mínimas, que normalmente passam ao lado de tão simples que são, e isso sim faz-me ver que não pode ser com varetas ou gobelets que se faz a carne humana.
Houve uma altura em que a vida me corria tão mal que julgava que Deus tinha mesmo que existir, tudo era mau demais para ser coincidência ou obra do acaso. Tinha que haver um Dundgeon Master a prejudicar cada um dos meus passos e a passar-me rasteiras a torto e a direito. Era tudo muito bem planeado.
Não me meterei em teologias, pouco ou nada sei sobre tal assunto, mas a realidade é que acredito. E não necessariamente por precaução, tipo PPRE, ou seguro de “além vida”. Acredito porque não consigo entender a vida doutra maneira, não vejo os dias como obra do destino, não faria sentido tentar ir mais além se assim fosse. Se eu soubesse hoje, por adivinhação, que ia morrer pobre, que seria esse o meu fado, nunca teria perdido tanto tempo a estudar, ou desistiria de tentar superar-me fazendo o que faço da melhor forma possível (que nem sempre acontece por motivos vários…mas eu tento).
Já houve quem me adivinhasse um futuro de solidão:”Tu a continuares assim vais acabar sozinha”. Custou a ouvir na altura,ainda martela um bocado, sobretudo vindo de quem vinha, e o que se lhe seguiu não foi muito melhor mas ainda assim acredito que tamanho poder, só o tempo tem e ninguém pode prever dessa forma a vida de ninguém. Blasfémia das blasfémias, acho que nem Deus sabe muito bem… O ser humano é estranho demais e até o Todo Poderoso deve ter dificuldades em fazer previsões.
No que eu acredito é que Ele está lá, com túnica ou sem túnica, com missal ou sem missal, com Santos ou sem Santos, eu acredito que Ele está lá.
Será que Deus não passa duma equação?
Quando era mais nova (!!há três quinze dias!!) julgava que o planeta Terra era uma caixa de Petri que os extraterrestres estudavam, tipo cultura biológica em ambiente controlado e que os humanos eram matéria de estudo para as aulas de biologia e química dessa gente. Era chavalita, não pensava ou melhor, pensava demais e queria explicar tudo para ser melhor e mais perspicaz que os meus amigos com acne.
Também me divertia a pensar que tipo de coisas diriam sobre mim, como seria classificada, em que grupo estava, que tipo de nome me dava... Provavelmente algo como “Chavalas Brilhantum et Giraçum” !! Narciso, larga o espelho!
Tinha razões para tal já que, se conseguiram criar algo como a Terra com o seu equilíbrio ecológico e a forma linda como tudo se combina(ava), então conseguiriam monitorizar cada passo nosso, desde o acordar até à hora de pôr o casaco de madeira. Era nova, não pensava…
Depois cresci e vi que não podia ser assim. A beleza da vida não pode ser regulada pelo meio de cultivo, temperatura ou pH da solução. Não pode. Tem que haver alguma mais, é tudo muito bonito.
Tenho conversado com diversas pessoas que sentem o que sinto. Há circunstâncias, pequenos gestos, atitudes, um pôr do sol, um abraço certeiro, coisas mínimas, que normalmente passam ao lado de tão simples que são, e isso sim faz-me ver que não pode ser com varetas ou gobelets que se faz a carne humana.
Houve uma altura em que a vida me corria tão mal que julgava que Deus tinha mesmo que existir, tudo era mau demais para ser coincidência ou obra do acaso. Tinha que haver um Dundgeon Master a prejudicar cada um dos meus passos e a passar-me rasteiras a torto e a direito. Era tudo muito bem planeado.
Não me meterei em teologias, pouco ou nada sei sobre tal assunto, mas a realidade é que acredito. E não necessariamente por precaução, tipo PPRE, ou seguro de “além vida”. Acredito porque não consigo entender a vida doutra maneira, não vejo os dias como obra do destino, não faria sentido tentar ir mais além se assim fosse. Se eu soubesse hoje, por adivinhação, que ia morrer pobre, que seria esse o meu fado, nunca teria perdido tanto tempo a estudar, ou desistiria de tentar superar-me fazendo o que faço da melhor forma possível (que nem sempre acontece por motivos vários…mas eu tento).
Já houve quem me adivinhasse um futuro de solidão:”Tu a continuares assim vais acabar sozinha”. Custou a ouvir na altura,ainda martela um bocado, sobretudo vindo de quem vinha, e o que se lhe seguiu não foi muito melhor mas ainda assim acredito que tamanho poder, só o tempo tem e ninguém pode prever dessa forma a vida de ninguém. Blasfémia das blasfémias, acho que nem Deus sabe muito bem… O ser humano é estranho demais e até o Todo Poderoso deve ter dificuldades em fazer previsões.
No que eu acredito é que Ele está lá, com túnica ou sem túnica, com missal ou sem missal, com Santos ou sem Santos, eu acredito que Ele está lá.
25 maio 2004
Ainda só hoje é 3ª feira… A rotina mata-me, deixa que a vida passe sem que dê por ela e tanto que ainda quero ver!
Dou conta que tudo é igual, o esforço por mudar é inútil, deixa-te andar jovem, deixa-te andar. Mas é triste.
Pensar que o tempo se encarrega da cura, enquanto os dias tratam de as lamber. Verdade que vai saindo o pus e as maleitas normais dum processo de cura, mas enquanto não se tira o curativo o que é que se faz?
Nestas idades há tudo para aprender. Como já disse num ou noutro post, na universidade aprende-se a ser profissional de algo, ou pelo menos são adquiridas as acendalhas para uma fogueira mais ou menos bem sucedida. O pior é quando se tem que enfrentar o mundo real, onde não basta a acendalha, é preciso ter em conta o combustível e a forma como se monta a pilha de madeira a arder.
Para quem ainda não percebeu o que quero dizer, imaginem como foi para vós tirar a carta, desde a fase do código de estrada, até à condução propriamente dita. Inicialmente aprendem-se limites de velocidade, sinais que não lembram ao Deus menino, vulgo Emanuel, restrições para estacionar, em suma, toda a etiqueta a ter em pleno alcatrão. O meu durou nove meses ao fim dos quais me tiveram que marcar o exame. Preguiça a quanto obrigas...
Passada essa fase, vem a condução. As aulas são giras e com o decorrer do tempo os records do Fanjo não são nada para quem já deu 100 numa nacional!! AHAHA!! Somos os maiores!!
Vem o exame, tem-se a carta, permissão para andar na estrada, dar boleia aos amigos que até então se haviam mostrado tão prestáveis em levar-nos a nós, o mundo é nosso. Só que, andar por caminhos marcados pelos instrutores e calcorrear estrada e monte, sem qualquer tipo de indicação, não são bem o mesmo. É preciso discernimento e sobretudo ganhar experiência. Os sustos, os outros Fanjos que aí andam, as velhinhas que fazem sinal para passarmos nas rotundas, os velhos que desconhecem que o carro tem mais que 3 mudanças, papa-reformas que nem em privados pátios deviam poder circular, há de tudo para todos os gostos. E é nessas alturas que pomos a mão à cabeça (tipo reclame do totoloto:”esqueci-me de jogar no totoloto!...”) e nos vem o pensamento:”Isto não é nada do que me tinham dito, caramba!”
Com a vida também é assim. Os pais avisam-nos, os professores avisam-nos, colegas mais velhos, irmãos (para quem os tem), amigos (para quem os tem), todos se encarregam de alertar para as vicissitudes (Ai o que eu gosto de dizer vicissitudes! Experimentem: VICISSITUDES!) que ainda nos esperam.
Tudo bem, já o Rui Veloso dizia que ser jovem não é fácil, mas daí a que tudo se complique da forma como, pelo menos para mim, se complicou…pah…tipo..Não me lixem!! Nos tempos de estudante, vivia rodeada de gente, sempre em cima do acontecimento, e numa ou noutra vez com sorte era o acontecimento que estava em cima de mim, mas agora... O marasmo de não saber o que se faz da vida. Sair à noite e não achar divertido, ficar em casa e sentir o peso dos anos que ainda não tenho? Tenho nos ossos menos tempo que a democracia, bolas…
Parece que em termos de alternativas resta casar, ter filhos, um emprego estável e ir almoçar a casa dos pais dum dos conjugues aos domingos. O que é isto? A parte do código, da condução? Como se faz? E se eu não quiser? Fico a ver todos os outros a entrar na never ending storie e a costumeira: “Ainda vais ficar para tia…” E se seu quiser que tal aconteça?
Como é? Há que penar, levar com ela na cara? Desilusões com pessoas, com o emprego que não compensa as chatices, ver que à volta tudo se joga por interesses, ninguém se preocupa desde que não lhes falte pão na pança, qual “Senhor Marquês e o nosso fim do mês?”, é um mundo de cão. Gente tão falsa por aí, caras que se tornam estranhas quando mudam os interesses e a tudo isto há que habituar a carne. Sofre…
Como é que se vive?
Porra, esta merda devia vir com manual de instruções!!!!
P.S.: D.ª Maria José, como é que a senhora faz?
Dou conta que tudo é igual, o esforço por mudar é inútil, deixa-te andar jovem, deixa-te andar. Mas é triste.
Pensar que o tempo se encarrega da cura, enquanto os dias tratam de as lamber. Verdade que vai saindo o pus e as maleitas normais dum processo de cura, mas enquanto não se tira o curativo o que é que se faz?
Nestas idades há tudo para aprender. Como já disse num ou noutro post, na universidade aprende-se a ser profissional de algo, ou pelo menos são adquiridas as acendalhas para uma fogueira mais ou menos bem sucedida. O pior é quando se tem que enfrentar o mundo real, onde não basta a acendalha, é preciso ter em conta o combustível e a forma como se monta a pilha de madeira a arder.
Para quem ainda não percebeu o que quero dizer, imaginem como foi para vós tirar a carta, desde a fase do código de estrada, até à condução propriamente dita. Inicialmente aprendem-se limites de velocidade, sinais que não lembram ao Deus menino, vulgo Emanuel, restrições para estacionar, em suma, toda a etiqueta a ter em pleno alcatrão. O meu durou nove meses ao fim dos quais me tiveram que marcar o exame. Preguiça a quanto obrigas...
Passada essa fase, vem a condução. As aulas são giras e com o decorrer do tempo os records do Fanjo não são nada para quem já deu 100 numa nacional!! AHAHA!! Somos os maiores!!
Vem o exame, tem-se a carta, permissão para andar na estrada, dar boleia aos amigos que até então se haviam mostrado tão prestáveis em levar-nos a nós, o mundo é nosso. Só que, andar por caminhos marcados pelos instrutores e calcorrear estrada e monte, sem qualquer tipo de indicação, não são bem o mesmo. É preciso discernimento e sobretudo ganhar experiência. Os sustos, os outros Fanjos que aí andam, as velhinhas que fazem sinal para passarmos nas rotundas, os velhos que desconhecem que o carro tem mais que 3 mudanças, papa-reformas que nem em privados pátios deviam poder circular, há de tudo para todos os gostos. E é nessas alturas que pomos a mão à cabeça (tipo reclame do totoloto:”esqueci-me de jogar no totoloto!...”) e nos vem o pensamento:”Isto não é nada do que me tinham dito, caramba!”
Com a vida também é assim. Os pais avisam-nos, os professores avisam-nos, colegas mais velhos, irmãos (para quem os tem), amigos (para quem os tem), todos se encarregam de alertar para as vicissitudes (Ai o que eu gosto de dizer vicissitudes! Experimentem: VICISSITUDES!) que ainda nos esperam.
Tudo bem, já o Rui Veloso dizia que ser jovem não é fácil, mas daí a que tudo se complique da forma como, pelo menos para mim, se complicou…pah…tipo..Não me lixem!! Nos tempos de estudante, vivia rodeada de gente, sempre em cima do acontecimento, e numa ou noutra vez com sorte era o acontecimento que estava em cima de mim, mas agora... O marasmo de não saber o que se faz da vida. Sair à noite e não achar divertido, ficar em casa e sentir o peso dos anos que ainda não tenho? Tenho nos ossos menos tempo que a democracia, bolas…
Parece que em termos de alternativas resta casar, ter filhos, um emprego estável e ir almoçar a casa dos pais dum dos conjugues aos domingos. O que é isto? A parte do código, da condução? Como se faz? E se eu não quiser? Fico a ver todos os outros a entrar na never ending storie e a costumeira: “Ainda vais ficar para tia…” E se seu quiser que tal aconteça?
Como é? Há que penar, levar com ela na cara? Desilusões com pessoas, com o emprego que não compensa as chatices, ver que à volta tudo se joga por interesses, ninguém se preocupa desde que não lhes falte pão na pança, qual “Senhor Marquês e o nosso fim do mês?”, é um mundo de cão. Gente tão falsa por aí, caras que se tornam estranhas quando mudam os interesses e a tudo isto há que habituar a carne. Sofre…
Como é que se vive?
Porra, esta merda devia vir com manual de instruções!!!!
P.S.: D.ª Maria José, como é que a senhora faz?
20 maio 2004
Ser produtivo neste país não é fácil. Quando se mora em cidades onde os bares vendem cerveja ao litro pela singela quantia de 400$00 e jarras de sangria por 1000 paus, quem pode censurar aqueles que, como eu, são fortes adeptos da modalidade “manda vir outra”? No dia seguinte ninguém aguenta com nada, convenhamos, mas eu explicarei e lanço um repto a colegas meus de treino que querem desistir: insistam e treinem que como se diz em Inglês “practice makes perfect”!
Como qualquer outra disciplina desportiva que se queira levar a sério, o “manda vir outra”, quando jogado ao seu mais alto nível, requer: prática, treino e muita concentração. Beber diariamente custa e quem o faz afincadamente corre o sério risco de lesões internas e outras que se reflectem no dia seguinte em dores de cabeça, secura constante e fortes dificuldades em ingerir, direi mesmo, cheirar qualquer tipo de comida.
Há um outro risco, no meu caso é bastante remoto, que é o dum gajo se fartar! Felizmente há grande variedade de bebidas, quase tantas como os modelos de ténis para basquetebol, e só os amadores chegam a este ponto de fraqueza, acabando por desistir e dizer: “-Hoje não bebo mais… Não me ‘tá a saber bem…”. Quase como aquelas fats que surgem por épocas e que facilmente se esquecem. Quem é que nunca quis ser profissional de alguma coisa e pela periodicidade e rotina, que ser profissional implica, acabou por desistir? No “manda vir outra” isso não acontece e, quanto mais outras vierem, o palato e o discernimento começam a desaparecer, levando a que o desporto se pratique quase sem que nos apercebamos da quantidade de garrafas que já nos tiraram da mesa.
Esta fase coincide com a não muito agradável altura em que os donos do estabelecimento/ginásio onde decorrem os treinos, aumentam o nível da contenda, mexendo no chão e alterando o campo de visão de, ecrã inteiro, para ecrã em modo palplus. Os verdadeiros atletas, e até hoje conheci poucos que não fossem da minha família directa, apreciam esta fase do treino normal já que a mesma duplica a concentração. Convenhamos que coordenar duas pernas, o léxico e o sentido cinestésico torna-se complicado e ter uma boa prestação nesta etapa de provas é sobremaneira gratificante.
Serve este apontamento para todos aqueles que se embaraçam e temem admitir o seu fanatismo pelo “manda vir outra”. Não será um desporto muito saudável mas, ao contrário dos futebolistas e afins, não é preciso dizer sempre a mesma coisa como:”o jogo correu mal… não ganhámos porque a outra equipa marcou mais golos e nós acabámos por os sofrer! 'Tamos confiantes que póssamos recuperar na próxima jornada, mas a sorte não esteve cagente,enfim!” Sempre podem ser ditas coisas mais inteligentes como:”o vinho é frutado”, ou “a sangria está muito saborosa”. Se bem que na fase final dos treinos ou das competições, um praticante ao nível que eu me considero, não diz sequer pão, mas deve ter sempre preparada a frase de segurança (se possível em várias linguas...):”Onde é a casa de banho? Acho que vou vomitar…” Nem sempre a frase sai tão bem encadeada mas dizer palavras chave como “vomitar” normalmente é o suficiente.
Uma dica importante para quem inicia a actividade é tentar descobrir antes do início da prova ou treino onde pode descarregar baterias e o estomâgo. Note-se que esta técnica só não funciona quando a memória nos falha, mas aí… nada a fazer.
Apesar de todos estes contratempos, é praticada em conjunto e o convívio que se gera é deveras gratificante, já que se chega a uma mesa onde se conhece meia dúzia de gatos pingados e acaba-se a noite a dizer à outra dúzia e meia como são pessoas porreiras. É muito humano praticar o “manda vir outra”.
Numa sociedade como a nossa onde não há oportunidade de aprofundar o conhecimento dos outros, nada melhor do que uma modalidade em que no espaço de horas, todos os que nos rodeiam nos parecem os nossos melhores amigos e com quem se trocam confidências como:" Fiz chichi fora da sanita...E GOSTEI!!”
A todos os que querem começar a modalidade, existem excelentes campos de treino nas Universidades (onde me introduzi na alta competição) e em diversas tascas típicas espalhadas pelo país. Não confundam no entanto este espaço com as afamadas semanas académicas, essas temporadas são destinadas somente a profissionais e o envolvimento de novatos só serve para envergonhar os verdadeiros praticantes, cuja fama tem sido fortemente prejudicada. Devo dizer-vos inclusivamente que temos nesses eventos e campeonatos, um ou outro recorde mundial.
É motivo para continuar a praticar!
Dedicado à Joana Rocha: “Never stop the bues"
Como qualquer outra disciplina desportiva que se queira levar a sério, o “manda vir outra”, quando jogado ao seu mais alto nível, requer: prática, treino e muita concentração. Beber diariamente custa e quem o faz afincadamente corre o sério risco de lesões internas e outras que se reflectem no dia seguinte em dores de cabeça, secura constante e fortes dificuldades em ingerir, direi mesmo, cheirar qualquer tipo de comida.
Há um outro risco, no meu caso é bastante remoto, que é o dum gajo se fartar! Felizmente há grande variedade de bebidas, quase tantas como os modelos de ténis para basquetebol, e só os amadores chegam a este ponto de fraqueza, acabando por desistir e dizer: “-Hoje não bebo mais… Não me ‘tá a saber bem…”. Quase como aquelas fats que surgem por épocas e que facilmente se esquecem. Quem é que nunca quis ser profissional de alguma coisa e pela periodicidade e rotina, que ser profissional implica, acabou por desistir? No “manda vir outra” isso não acontece e, quanto mais outras vierem, o palato e o discernimento começam a desaparecer, levando a que o desporto se pratique quase sem que nos apercebamos da quantidade de garrafas que já nos tiraram da mesa.
Esta fase coincide com a não muito agradável altura em que os donos do estabelecimento/ginásio onde decorrem os treinos, aumentam o nível da contenda, mexendo no chão e alterando o campo de visão de, ecrã inteiro, para ecrã em modo palplus. Os verdadeiros atletas, e até hoje conheci poucos que não fossem da minha família directa, apreciam esta fase do treino normal já que a mesma duplica a concentração. Convenhamos que coordenar duas pernas, o léxico e o sentido cinestésico torna-se complicado e ter uma boa prestação nesta etapa de provas é sobremaneira gratificante.
Serve este apontamento para todos aqueles que se embaraçam e temem admitir o seu fanatismo pelo “manda vir outra”. Não será um desporto muito saudável mas, ao contrário dos futebolistas e afins, não é preciso dizer sempre a mesma coisa como:”o jogo correu mal… não ganhámos porque a outra equipa marcou mais golos e nós acabámos por os sofrer! 'Tamos confiantes que póssamos recuperar na próxima jornada, mas a sorte não esteve cagente,enfim!” Sempre podem ser ditas coisas mais inteligentes como:”o vinho é frutado”, ou “a sangria está muito saborosa”. Se bem que na fase final dos treinos ou das competições, um praticante ao nível que eu me considero, não diz sequer pão, mas deve ter sempre preparada a frase de segurança (se possível em várias linguas...):”Onde é a casa de banho? Acho que vou vomitar…” Nem sempre a frase sai tão bem encadeada mas dizer palavras chave como “vomitar” normalmente é o suficiente.
Uma dica importante para quem inicia a actividade é tentar descobrir antes do início da prova ou treino onde pode descarregar baterias e o estomâgo. Note-se que esta técnica só não funciona quando a memória nos falha, mas aí… nada a fazer.
Apesar de todos estes contratempos, é praticada em conjunto e o convívio que se gera é deveras gratificante, já que se chega a uma mesa onde se conhece meia dúzia de gatos pingados e acaba-se a noite a dizer à outra dúzia e meia como são pessoas porreiras. É muito humano praticar o “manda vir outra”.
Numa sociedade como a nossa onde não há oportunidade de aprofundar o conhecimento dos outros, nada melhor do que uma modalidade em que no espaço de horas, todos os que nos rodeiam nos parecem os nossos melhores amigos e com quem se trocam confidências como:" Fiz chichi fora da sanita...E GOSTEI!!”
A todos os que querem começar a modalidade, existem excelentes campos de treino nas Universidades (onde me introduzi na alta competição) e em diversas tascas típicas espalhadas pelo país. Não confundam no entanto este espaço com as afamadas semanas académicas, essas temporadas são destinadas somente a profissionais e o envolvimento de novatos só serve para envergonhar os verdadeiros praticantes, cuja fama tem sido fortemente prejudicada. Devo dizer-vos inclusivamente que temos nesses eventos e campeonatos, um ou outro recorde mundial.
É motivo para continuar a praticar!
Dedicado à Joana Rocha: “Never stop the bues"
23 março 2004
Sabem qual a impressão deixada na pele por um gesto, um toque, um sorriso? Não é optima?E custa a apagar...e isso é bom!! AHAHAH!!
Para compensar todos aqueles que continuam fãs do meu pequeno espaço de estética sociológica, hoje decidi prendar-vos com um segredo meu, até hoje nunca revelado, e que contribuirá para deslindar um pouco mais a tese, ultimamente desenvolvida, a qual defende o meu elevado grau de insanidade (vá-se lá perceber..). Avante!!
Os que privam comigo com alguma assiduidade, sabem que já me encontro no mundo do trabalho há algum tempo (1 anito, mas deixai-me sentir e bradar aos quatro ventos “o peso que é ir trabalhar!!!”) e aqueles que como eu têm um chefe a quem chamar nomes, saberão que nem todos os dias apetece contribuir para o Produto Interno Bruto...melhor ainda, são poucos os dias em que apetece contribuir para a porra que ainda agora escrevi e que, perdoai a ignorância, nunca percebi muito bem...
Acordar à hora marcada, seguir os trajectos costumeiros, rituais diários, os mesmos gestos, cumprimentos, assuntos a tratar, sorrir para caras que nada nos dizem e que mal chega a sexta feira tentamos por tudo esquecer, é complicado! Muito complicado mesmo… Nunca na vida dei tanto valor à doce textura que envolve uma boa tarde e/ou dia sem fazer nada! É bom fazer nada.
No entanto há aqueles que gostam do que fazem e tiram do seu dia a dia, para além do sustento material necessário para uma vida sã ( maldita invenção da moeda!! ), alegria e aquele sorriso ridículo que tanto tento imitar, apesar de nunca o ter conseguido. É invejável e são poucos os que sinceramente o poderão ostentar. Eu, que nunca o consegui esboçar sem uma leve tonalidade de amarelo, recorro a artifícios e escapes, alguns dos quais consumíveis na forma líquida e não só… Mas foi nessa altura que surgiu a minha nova arma e é aqui que reside o meu segredo para encarar a minha labuta diária!! Qual Batman, herói de fato roxo, com as cuecas de fora (cena bem gay devo dizer) e cinto apetrechado, descobri a cura para todas as segundas feiras de “Ai Jesus que lá vou eu”, todas as terças feiras de “tem que ser e tem”, todas as quartas feiras de “podia ser só segunda”, todas as quintas-feiras de “já falta pouco” e todas as sextas de “ ‘tava a ver que nunca mais era sábado!!”
Eu tenho a cura e essa cura chama-se Dona Maria José!
A Dona Maria José trabalha no mesmo sítio onde eu trabalho e cruzo-me ocasionalmente com a senhora à hora das refeições. É de estatura baixa e fisicamente faz-me lembrar a minha Santa Mãe!! Talvez por associação de ideias, entre quem ela me faz lembrar e o que sinto sempre que a vejo, cumprimentar a Dona Maria José é LINDO!! Cada vez que o faço, e nos dias melhores são cerca de três vezes, é uma sensação de revitalização que nem vos digo, nem vos conto… A senhora está sempre a sorrir e a cada “Bom dia” ou até mesmo “Olá tudo bem”, é um brilho novo naqueles olhos, como se o facto de nos ver tornasse o seu próprio dia algo melhor… Ela ri quando cumprimenta e dá para ver que não é por conveniência, é porque tem que rir!! No meu humilde entender, a Dona Maria José tem que sorrir, porque ao contrário de nós mortais, já atingiu a compreensão máxima que nos diz que a vida tem que ser mesmo assim!! Como explicar? Como explicar?? Sabem aquele amigo especial que só com o olhar, só com a presença nos diz que tudo está bem? É o que sinto quando vejo a senhora e já me aconteceu entrar naquele sítio tentada ao suicídio numa qualquer tubagem de gás ( é a vantagem de trabalhar numa fábrica de químicos, temos a morte ao alcance duma válvula!!), olhar para aquela pessoa e sentir que…afinal até bem pode vir a ser uma bom dia!! É lindo!! Atingir a paz daquele sorriso parece tarefa Hercúlea mas quero acreditar que é possível.
Não me parece que seja preciso muito dinheiro, nem grande ostentação, simplesmente paz. Quando vou almoçar e a vejo na sua mesa, atenta ao que está a fazer, sem se importar muito com a possível falta de companhia, fico orgulhosa de mim mesma já que também eu consigo comer sozinha sem grandes constrangimentos. Pelo menos na cantina, já que em restaurantes nunca tentei, mas é o próximo passo!! Não porque não me apeteça companhia, mas por só me apetecer a minha. Quero atingir essa paz sem qualquer pudor, querer estar comigo e dizer bom dia!!
Encontrem a Dona Maria José dos vossos posto de trabalho, no sítio onde estudam, nos cafés que frequentam e aprendam o que eu leio cada vez que a vejo: qualquer dia pode bem ser um Bom Dia Dona Maria José!!!!
Vida Feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!
Para compensar todos aqueles que continuam fãs do meu pequeno espaço de estética sociológica, hoje decidi prendar-vos com um segredo meu, até hoje nunca revelado, e que contribuirá para deslindar um pouco mais a tese, ultimamente desenvolvida, a qual defende o meu elevado grau de insanidade (vá-se lá perceber..). Avante!!
Os que privam comigo com alguma assiduidade, sabem que já me encontro no mundo do trabalho há algum tempo (1 anito, mas deixai-me sentir e bradar aos quatro ventos “o peso que é ir trabalhar!!!”) e aqueles que como eu têm um chefe a quem chamar nomes, saberão que nem todos os dias apetece contribuir para o Produto Interno Bruto...melhor ainda, são poucos os dias em que apetece contribuir para a porra que ainda agora escrevi e que, perdoai a ignorância, nunca percebi muito bem...
Acordar à hora marcada, seguir os trajectos costumeiros, rituais diários, os mesmos gestos, cumprimentos, assuntos a tratar, sorrir para caras que nada nos dizem e que mal chega a sexta feira tentamos por tudo esquecer, é complicado! Muito complicado mesmo… Nunca na vida dei tanto valor à doce textura que envolve uma boa tarde e/ou dia sem fazer nada! É bom fazer nada.
No entanto há aqueles que gostam do que fazem e tiram do seu dia a dia, para além do sustento material necessário para uma vida sã ( maldita invenção da moeda!! ), alegria e aquele sorriso ridículo que tanto tento imitar, apesar de nunca o ter conseguido. É invejável e são poucos os que sinceramente o poderão ostentar. Eu, que nunca o consegui esboçar sem uma leve tonalidade de amarelo, recorro a artifícios e escapes, alguns dos quais consumíveis na forma líquida e não só… Mas foi nessa altura que surgiu a minha nova arma e é aqui que reside o meu segredo para encarar a minha labuta diária!! Qual Batman, herói de fato roxo, com as cuecas de fora (cena bem gay devo dizer) e cinto apetrechado, descobri a cura para todas as segundas feiras de “Ai Jesus que lá vou eu”, todas as terças feiras de “tem que ser e tem”, todas as quartas feiras de “podia ser só segunda”, todas as quintas-feiras de “já falta pouco” e todas as sextas de “ ‘tava a ver que nunca mais era sábado!!”
Eu tenho a cura e essa cura chama-se Dona Maria José!
A Dona Maria José trabalha no mesmo sítio onde eu trabalho e cruzo-me ocasionalmente com a senhora à hora das refeições. É de estatura baixa e fisicamente faz-me lembrar a minha Santa Mãe!! Talvez por associação de ideias, entre quem ela me faz lembrar e o que sinto sempre que a vejo, cumprimentar a Dona Maria José é LINDO!! Cada vez que o faço, e nos dias melhores são cerca de três vezes, é uma sensação de revitalização que nem vos digo, nem vos conto… A senhora está sempre a sorrir e a cada “Bom dia” ou até mesmo “Olá tudo bem”, é um brilho novo naqueles olhos, como se o facto de nos ver tornasse o seu próprio dia algo melhor… Ela ri quando cumprimenta e dá para ver que não é por conveniência, é porque tem que rir!! No meu humilde entender, a Dona Maria José tem que sorrir, porque ao contrário de nós mortais, já atingiu a compreensão máxima que nos diz que a vida tem que ser mesmo assim!! Como explicar? Como explicar?? Sabem aquele amigo especial que só com o olhar, só com a presença nos diz que tudo está bem? É o que sinto quando vejo a senhora e já me aconteceu entrar naquele sítio tentada ao suicídio numa qualquer tubagem de gás ( é a vantagem de trabalhar numa fábrica de químicos, temos a morte ao alcance duma válvula!!), olhar para aquela pessoa e sentir que…afinal até bem pode vir a ser uma bom dia!! É lindo!! Atingir a paz daquele sorriso parece tarefa Hercúlea mas quero acreditar que é possível.
Não me parece que seja preciso muito dinheiro, nem grande ostentação, simplesmente paz. Quando vou almoçar e a vejo na sua mesa, atenta ao que está a fazer, sem se importar muito com a possível falta de companhia, fico orgulhosa de mim mesma já que também eu consigo comer sozinha sem grandes constrangimentos. Pelo menos na cantina, já que em restaurantes nunca tentei, mas é o próximo passo!! Não porque não me apeteça companhia, mas por só me apetecer a minha. Quero atingir essa paz sem qualquer pudor, querer estar comigo e dizer bom dia!!
Encontrem a Dona Maria José dos vossos posto de trabalho, no sítio onde estudam, nos cafés que frequentam e aprendam o que eu leio cada vez que a vejo: qualquer dia pode bem ser um Bom Dia Dona Maria José!!!!
Vida Feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!
01 março 2004
15 fevereiro 2004
Paciência...Ávidos leitores, paciência com quem precisa de inspiração para pequenos trechos de palavras, elas não me saem com a fluência necessária para poder escrever com maior periodicidade. Eu sou assim...
Aproveito estes vossos minutos para vos contar a melhor coisinha que me aconteceu desde que entrei em 2004. Recentemente fiz anos, sem querer publicitar ou lançar o repto "A MINHA PRENDA??", dia 6 de Fevereiro completei um quarto de século. Muito tempo?? Sinto-me tão colegial como no dia em que comecei a escrever o meu nome,mas enfim, não é isso que aqui me traz.
Não tinha grandes planos já que não sou adepta de convidar as pessoas para jantares em que, para além de elas os terem que pagar, ainda se sentem na obrigação da prenda, pelo que depois do jantar iria passar um serão ameno acompanhada de sangria... Estava portanto em casa à espera da minha boleia e notei um telefonema no qual a minha mãe foi meio estranha. Passado algum tempo tinha meia dúzia de gatos pingadíssimos de lindos à porta de minha casa a cantar-me os parabéns com bolinho e chapéus de festa (achei o pormenor lindo!!)
Eu gostei tanto, fiquei tão feliz por haver gente que se tenha dado ao trabalho de fazer um bolinho, contactar pessoas, vir a minha casa para me cantarem os parabéns... É lindo saber que valemos a pena o suficiente para darmos trabalho às pessoas, é bom saber e ver que gostam de nós... Aniversário lindo foi o meu!!
Se calhar para a maioria de vós é lugar comum viver assim rodeada de gente mas para mim não é vulgar. Obrigada a todos!!Gostei mesmo,mesmo,mesmo muito!!!!
Não imaginam o bem que me fizeram... Afinal não é todos os dias que a minha fé na humanidade aumenta mais um bocadinho...
Obrigada e Bem Hajam!!
Aproveito estes vossos minutos para vos contar a melhor coisinha que me aconteceu desde que entrei em 2004. Recentemente fiz anos, sem querer publicitar ou lançar o repto "A MINHA PRENDA??", dia 6 de Fevereiro completei um quarto de século. Muito tempo?? Sinto-me tão colegial como no dia em que comecei a escrever o meu nome,mas enfim, não é isso que aqui me traz.
Não tinha grandes planos já que não sou adepta de convidar as pessoas para jantares em que, para além de elas os terem que pagar, ainda se sentem na obrigação da prenda, pelo que depois do jantar iria passar um serão ameno acompanhada de sangria... Estava portanto em casa à espera da minha boleia e notei um telefonema no qual a minha mãe foi meio estranha. Passado algum tempo tinha meia dúzia de gatos pingadíssimos de lindos à porta de minha casa a cantar-me os parabéns com bolinho e chapéus de festa (achei o pormenor lindo!!)
Eu gostei tanto, fiquei tão feliz por haver gente que se tenha dado ao trabalho de fazer um bolinho, contactar pessoas, vir a minha casa para me cantarem os parabéns... É lindo saber que valemos a pena o suficiente para darmos trabalho às pessoas, é bom saber e ver que gostam de nós... Aniversário lindo foi o meu!!
Se calhar para a maioria de vós é lugar comum viver assim rodeada de gente mas para mim não é vulgar. Obrigada a todos!!Gostei mesmo,mesmo,mesmo muito!!!!
Não imaginam o bem que me fizeram... Afinal não é todos os dias que a minha fé na humanidade aumenta mais um bocadinho...
Obrigada e Bem Hajam!!
Subscrever:
Mensagens (Atom)